Nicholas
Stern, um dos especialistas mais ouvidos sobre mudança climática, propôs nesta
sexta-feira (30) a imposição de tarifas para a importação de bens produzidos
“de forma suja” como forma de incentivar tecnologias que freiem a mudança
climática.
Stern,
ex-economista-chefe do Banco Mundial e membro da Câmara dos Lordes do Reino
Unido, disse ter lutado toda sua vida contra o protecionismo, que na maioria
dos casos segundo sua opinião se deve a grupos de interesse com influência
sobre as decisões políticas de um país.
No
entanto, afirmou que existem sim razões para impor tarifas sobre bens
elaborados com métodos que contribuem para o aquecimento do planeta.
“Se
um país produz um bem de forma suja e tenta vendê-lo em um mercado onde outros
produzem de forma limpa está plenamente justificada a aplicação de impostos
alfandegários”, explicou em uma conferência organizada pela Câmara de Comércio
Equatoriano-Britânica do Equador, onde Stern está há uma semana.
O
economista britânico, que em 2006 publicou um relatório de grande influência
que leva seu nome – alertando sobre as consequências econômicas da mudança
climática – citou como precedente medidas tarifárias tomadas por Washington
para proteger a ecologia.
“Os
Estados Unidos invocaram com sucesso os mecanismos ambientais da OMC
(Organização Mundial do Comércio) contra as importações de camarões asiáticos
que eram criados com métodos que prejudicavam os golfinhos”, explicou.
Para
Stern o combate do aquecimento global é uma razão até mais importante para
criar tarifas do que a proteção dos golfinhos.
Sua
sugestão inscreve-se em um debate mundial sobre a possibilidade de penalizar
quem gerar emissões de dióxido de carbono e não só dar incentivos a quem
reduzir a poluição. (Fonte: Portal iG)
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