Em visita a Manaus para
participar do Fórum Mundial de Sustentabilidade, nesta quinta-feira (22), o
diretor internacional do Greenpeace, Kumi Naidoo, falou ao G1 sobre a
preparação do país e da ONG para a Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho no Rio de Janeiro.
O sul-africano, que comanda a
organização há três anos, criticou a falta de agilidade nas negociações
ambientais. Ele também apontou falhas no ‘Rascunho Zero’, documento que noteará
as discussões na Rio+20.
Para Kumi Naidoo, o ‘Rascunho
Zero’ é vago. “Eu acho que este ‘Rascunho Zero’ deveria ser chamado de
‘Rascunho Menos Cinco’. Faltam muitos pontos, como abordagem maior sobre a
Amazônia, e o documento não reflete o nível de urgência para atender às ameaças
que os cientistas identificam”, disse.
Negociações – O diretor
do Greenpeace criticou ainda os responsáveis pelas negociações ambientais.
“Infelizmente, os negociadores, tanto do documento da Rio+20 quanto das
discussões de mudanças climáticas em geral, sofrem de uma doença com dois
aspectos: parece que todos têm um problema de audição, e eu não estou falando
sobre ouvir o que organizações como o Greenpeace dizem, mas sobre o que os
cientistas dizem”, afirmou.
“Nós já seguimos a ciência com
tantas coisas – como se deve usar um cinto de segurança, quanto se pode beber
antes de dirigir, ter que usar preservativo antes de relações sexuais para
prevenção de Aids. Ninguém duvida do que os estudos dizem sobre isso, mas na
ciência climática tudo isso é negado. Outro problema que os negociadores
apresentam é de dissonância cognitiva, ou seja, as informações estão lá, os
passos estão lá, mas eles não conseguem internalizar isso e responder a esta
necessidade”, completou Naidoo.
Rio+20 – Ainda sobre a
Rio+20, Naidoo pediu agilidade para adaptações à proposta de discussão
apresentada. “Ainda temos mais alguns meses antes da Rio+20 e eu peço aos
representantes de governo que estão negociando o ‘Rascunho Zero’ que
internalizem no documento o nível de urgência e a ambição que os desafios
planetários apresentam para a sociedade”.
Sobre o acordo realizado em
2011 em Durban, na África do Sul, que prevê a assinatura de documentos propondo
a redução da emissão de CO2 em 2015 e que deve entrar em vigor a partir de
2020, Kumi Naidoo afirmou que falta urgência nos processos.
“Não temos tempo para esperar
este prazo. (…) Eles têm todos os fatos em mãos, mas o tempo está acabando e
eles continuam a acreditar que nós temos um tempo que não temos, e isto já está
afetando a realidade de moradores de pequenas ilhas em lugares como Bangladesh
(…). Eu classificaria estas datas como uma irresponsabilidade da parte de
líderes políticos”, ressaltou.
De acordo com o diretor do
Greenpeace, a mensagem mais importante que ele pretende levar aos empresários
presentes no Fórum Mundial de Sustentabilidade é a urgência. “Eles não podem
pensar só no hoje e esquecer do amanhã. Vou falar sobre isso”, concluiu. (Fonte:
Marina Souza/ G1)
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