Área
de deslizamentos e desabamentos de casas no temporal de janeiro de 2011, a
comunidade de Pimentel, em Teresópolis, na região serrana fluminense, voltou a
sofrer com fortes chuvas na última semana, que provocaram deslizamentos e
deixaram um morto. Neste ano, a situação poderia ter sido evitada, caso as
sirenes instaladas pela Defesa Civil tivessem funcionado como planejado.
Mas
não foi o que aconteceu. A sirene, que avisa sobre os riscos de chuva forte e
deslizamentos de terra, não soou. Por isso, muitos moradores da comunidade
permaneceram em suas casas, apesar do temporal e das residências estarem
localizadas em área de risco.
“A
chuva começou às 16h de sexta-feira. Foi uma chuva muito forte. Deu a primeira
pancada, a segunda, depois continuou a chuva. Aí começaram as luzes a apagar e
acender. No final, a luz apagou totalmente. O desespero foi grande. Por volta
das 22h, nós subimos as ruas gritando para o pessoal descer, porque a nossa
sirene deu algum problema. Foi um verdadeiro pânico aqui dentro do bairro
Pimentel”, conta o presidente da Associação de Moradores, Marcos Paulo da
Silva.
Segundo
Silva, algumas pessoas ouviram os chamados e deixaram suas casas, deslocando-se
para um ponto de apoio seguro da Defesa Civil, localizado em uma igreja. Mas
nem todos. Jason da Cunha Silva resolveu ficar em casa, para desentupir a calha
de seu terreno e desviar a água acumulada na parte de trás de sua casa. Foi
quando o barranco atrás de sua residência deslizou sobre ele, soterrando-o
Vizinhos,
como Rosimere Portela, de 38 anos, ainda tentaram ajudar a desenterrá-lo com
vida, sem sucesso. “Eu estava dentro de casa, quando escutei um barulho. Olhei
pela janela e vi que havia caído um pedaço do barranco. Cheguei na casa dele e
um rapaz falou: 'moça, me empresta uma enxada e uma pá, porque meu filho está
soterrado aqui'. Eu vim desesperada, correndo, pedindo a pá ao meu filho e
desci com a pá, mas quando fui tirar ele, já tinha morrido”, afirmou Rosimere.
A
própria Rosimere permaneceu em casa, com o filho, apesar da forte chuva, porque
não ouviu qualquer alerta para sair. Mesma atitude tomou Ilda Pacheco da Silva,
de 48 anos, que também ficou em casa porque não foi alertada.
Por
pouco, Ilda não foi vítima. Um barranco desabou atrás de sua casa. “Ficamos
todos deitados em cima da cama. Aí meu marido levantou e foi ver a janela. Ele
disse: 'vem ver o que aconteceu aqui'. Aí eu fui para a janela. Quando eu
cheguei lá tinha descido uma barreira atrás da casa. Diante disso, eu peguei
meus documentos e fui para a casa da minha mãe do lado. Fiquei lá até a chuva
passar. Não ouvimos nenhuma sirene”, disse.
De
acordo com a prefeitura de Teresópolis, das 14 sirenes que deveriam soar na
cidade, apenas quatro não soaram, entre elas a de Pimentel. Segundo a
assessoria de imprensa, o acionamento é feito por SMS. Caso haja falha, núcleos
comunitários de Defesa Civil têm agentes treinados para soá-las manualmente.
Não
foi dada uma explicação sobre porque a sirene de Pimentel não funcionou. O
prefeito Arlei Rosa diz que a Defesa Civil está vistoriando o sistema de
sirenes e fará um relatório técnico ao final da vistoria.
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