Por Geralda Magela
O
curso, coordenado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS),
vai formar 600 educadores - entre professores, gestores,
alunos e membros da comunidade escolar - e terá um módulo sobre
a Pegada Ecológica. A iniciativa faz parte do projeto Escolas
Sustentáveis e Com-Vidas (ESCV), programa do Ministério da Educação (MEC), que
tem por objetivo estimular a produção de espaços educadores e sustentáveis nas
escolas públicas.
A
formação, na modalidade de ensino à distância, começa agora em meados de
novembro e continua até março de 2013. O conteúdo do módulo da Pegada
Ecológica, metodologia que avalia a pressão do consumo das populações humanas
sobre os recursos naturais, será disponibilizado pelo WWF-Brasil.
No
último sábado (27), a UFMS organizou uma aula presencial para os 30 tutores que
irão atuar na formação dos professores. A analista de conservação do WWF-Brasil
e educadora ambiental, Terezinha Martins, participou da aula, com uma
apresentação sobre a Pegada Ecológica.
Para
ela, ao integrar a grade curricular de um curso de formação continuada da
universidade, por meio de uma política pública do MEC, o trabalho com a Pegada
Ecológica se fortalece. “Temos a possibilidade de ampliar esse processo,
com o enraizamento do tema nas universidades e nos cursos de pós-graduação em
educação ambiental”, destaca.··.
Teoria
e prática- Este é o segundo ano do curso. A oferta é feita por meio de
edital e, para participar, as escolas precisam fazer a adesão. Na primeira
edição, participaram 200 educadores. " Desta vez, temos condições de
atender até 60 escolas, cada uma com 10 participantes, atingindo cerca de
600 cursistas", afirma Icléia Vargas.
O
curso de extensão terá duração de 90 horas, mas a intenção, segundo a
coordenadora do programa da UFMS, professora Icléia
Vargas, é ampliar para 120 horas na próxima oferta.
O
primeiro módulo, será ministrado o conteúdo da Pegada Ecológica. O terceiro
módulo denominado Comunidade e Ecotécnicas para a Sustentabilidade é composto
por atividades práticas. Para isso, será formado um coletivo de cada escola.
“Esse grupo irá propor um tipo de ação sustentável, que será desenvolvida na
escola”, explica Icléia.
A
proposta de ação prática tem por objetivo o desenvolvimento de uma ecotécnica,
tecnologia que ajude a melhorar as condições físicas da escola, tornando-a mais
sustentável. Cada coletivo irá escolher a tecnologia que considere mais
adequada à escola. “Pode ser, por exemplo, a implantação de uma horta, captação
de água de chuva, seleção de resíduos ou a utilizaçcão de ingredientes
produzidos na região e orgânicos na merenda escolar. Mas essa decisão
cabe ao coletivo”, diz Icléia. O trabalho terá o acompanhamento do grupo gestor
da Pegada Ecológica de Campo Grande, que também irá apoiar a implantação de uma
escola sustentável.
Os
custos de implantação das tecnologias serão cobertos com recursos do PDDE
Sustentável, uma nova modalidade do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE),
do MEC. “Este PDDE, aprovado recentemente, é uma conquista do grupo de
educação ambiental e é destinado especificamente à implantação das escolas sustentáveis”,
afirma a professora.
O
curso é ministrado em um ambiente virtual de aprendizagem chamado Moodle, uma
plataforma online usada para educação à distância. As escolas têm seus
laboratórios com computador e internet. O coletivo trabalha nesses ambientes e
também recebem material impresso para acompanhar.
Para
o superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Michael Becker, a parceria
com a universidade é muito importante para o trabalho da Pegada Ecológica de
Campo Grande, devido à capilaridade que um curso como este tem. “Consideramos
uma excelente oportunidade para expandir o conceito da Pegada Ecológica no
ambiente escolar e envolver o público jovem, estimulando mudanças de hábitos e
o uso mais sustentável dos recursos naturais, visando à redução da Pegada
Ecológica”, destaca.
Além
do curso de formação de professores, a Universidade Federal do Mato Grosso do
Sul também está estimulando a pesquisa acadêmica nessa área. Nesta segunda-feira
(29), a universidade lançou edital para um curso de pós-graduação lato sensu em
Educação Ambiental e Espaços Educadores Sustentáveis, com duzentas vagas para
todo estado do Mato Grosso do Sul.
Pegada
Ecológica de Campo Grande
A
UFMS é uma das instituições integrantes do Grupo Gestor da Pegada Ecológica de
Campo Grande, trabalho que vem sendo desenvolvido pelo WWF-Brasil em parceira
com a Prefeitura Municipal e com parceiros da cidade. As atividades
começaram com o cálculo da capital sul-mato-grossense, primeira cidade
brasileira a calcular a sua pegada ecológica. Em seguida, foi criado o grupo
gestor que é responsável pelas ações de mobilização e de mitigação (redução de
impactos).
O
grupo gestor é composto por representantes do WWF- Brasil, Secretaria Municipal
de Educação, UFMS, Universidade Católica Dom Bosco, Instituto de Permacultura,
Coletivo Jovem- Kairós, Rede de Economia Solidária, Associação de RPPNs do Mato
Grosso do Sul (REPAMS) e Espaço Imaginário.
Nesses
dois anos de atuação, foram capacitados 500 professores (45% da rede municipal)
com a ferramenta da Pegada Ecológica. A experiência também foi
apresentada em duas edições da Mostra de Soluções Sustentáveis, em Campo
Grande, e no VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, em Salvador
(BA). Em maio deste ano, o WWF-Brasil recebeu o prêmio Ecologia e Ambientalismo
da Câmara Municipal de Campo Grande devido ao trabalho realizado com o cálculo
da Pegada Ecológica.
A
experiência de Campo Grande também despertou o interesse de São Paulo e o
cálculo da Pegada Ecológica foi feito para a cidade e o estado de São Paulo. O
resultado foi lançado pelo WWF-Brasil e pelos governos de São Paulo na Rio+20.
Sobre
a Pegada Ecológica
A
Pegada Ecológica de um país, cidade ou pessoa corresponde ao tamanho das áreas
produtivas de terra e mar necessárias para produzir e sustentar determinado
estilo de vida. É uma forma de traduzir, em hectares, a extensão de território
que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para sustentar suas
formas de alimentação, moradia, locomoção, lazer, consumo entre outros.
Expressa em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de
consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário