A
falta de recursos não pode servir mais como justificativa para o tratamento
inadequado do lixo nas cidades brasileiras. O secretário de Recursos Hídricos e
Ambiente Urbano, Nabil Bonduki, disse que algumas administrações municipais
gastam R$ 20 bilhões por ano com tratamento do lixo. “Então, existe recurso.
Com mais planejamento, melhores contratos e gestão, é possível”, disse.
Mais
de 4,4 mil cidades, quase 70% dos municípios brasileiros, ainda depositam
resíduos sólidos em lixões e têm índices de coleta seletiva considerados “muito
baixos” pelo ministério do Meio Ambiente. Durante um debate preparatório para o
1º Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, em Brasília,
Bonduki disse que, nos próximos dias, o governo vai anunciar um programa para
ajudar as prefeituras na construção de aterros sanitários adequados à nova
política de resíduos sólidos do país.
Para
conseguir o financiamento, as prefeituras terão que se enquadrar em algumas
condições que garantam a gestão dos aterros. Bonduki explicou que, no fim da
década de 1990, um programa semelhante resultou em aterros que, tempos depois,
voltaram a funcionar como lixões por problemas gerenciais. “Quase dois terços
dos aterros criados naquela época estão sob avaliação do Tribunal de Contas da
União. Precisamos de critérios de gestão. A política de resíduos não é uma
política de obras. Os municípios precisam ter capacidade de gestão”, ponderou.
Para
ter acesso ao financiamento, as cidades pequenas, com até 150 mil habitantes,
terão que se associar às cidades próximas para compartilhar a gestão dos
aterros sanitários. Segundo o secretário de Ambiente Urbano, essas cidades,
sozinhas, teriam dificuldade para gerir os aterros.
Mas,
nos municípios do Amazonas e do Semiárido Nordestino, por exemplo, a regra não
funcionaria. Antônio Peixoto de Oliveira, prefeito de Itaquatiara, no Pantanal
Matogrossense, alerta que a distância entre as cidades da região supera 150
quilômetros, o que inviabilizaria o consórcio para uso comum do aterro. “No
estado, a única cidade com mais de 150 mil habitantes é a capital. Mas, com as
distâncias que temos, a única coisa que seria viável no consórcio seria na
gestão, com a contratação de técnicos em comum para ajudar nos planos de
tratamento de resíduos dos municípios”.
Peixoto
disse que já apresentou ao governo do estado uma proposta alternativa, que
seria a criação de usinas de reciclagem. Pelo projeto, o lixo seria separado
nessas usinas e o material reciclável seria encaminhado para cooperativas de
catadores. “O lixo orgânico seria embalado e enterrado por três anos, quando os
municípios retirariam o material para usar como adubo orgânico. A água suja,
antes de virar churume, seria tratada para ser reutilizada”, explicou o
prefeito.
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