O grupo, liderado pela
fundação SOS Mata Atlântica, instalou um copo gigante de plástico, em forma de
troféu, no meio do estande oficial do Brasil no evento.
A ideia, de acordo com Mario
Mantovani, diretor de mobilização da SOS, é simbolizar a entrega do troféu
"copo vazio" a quem apoia o novo código em debate na Câmara dos
Deputados.
"A situação está mal
resolvida. Não é possível continuar essa chantagem na Câmara contra o governo,
contra a sociedade e contra a natureza", disse Mantovani.
"Eu espero que a Câmara
dos Deputados aprove na íntegra o texto que saiu do Senado", falou o
senador Rodrigo Rollemberg, presidente da Comissão do Meio Ambiente do Senado.
"É um texto equilibrado que busca aliar a condição do Brasil como um
grande produtor de alimentos mantendo sua condição de potência ambiental."
O texto aprovado pelo Senado
em dezembro do ano passado sofreu alterações na Câmara. Por exemplo, as áreas
florestais obrigatórias por lei nas propriedades rurais foram reduzidas.
RESPOSTA
A ideia da manifestação surgiu
após o discurso da senadora ruralista Kátia Abreu (PSD-TO), na terça-feira, no
Fórum da Água.
Abreu sugeriu uma espécie de
universalização do conceito de mata ciliar que a legislação brasileira chama de
APP (Área de Preservação Permanente).
A senadora também falou sobre
o projeto Biomas, da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil),
que ela preside, e da Embrapa Florestas, que envolve mais de 200 cientistas.
De acordo com Abreu, cabe aos
cientistas a avaliação da mata ciliar que deve ser preservada nas nascentes e
nas beiras de rios, "que pode variar de 5 metros a 200 metros."
Na prática, porém, a senadora
é um dos principais nomes que lutam pela aprovação do novo Código Florestal
brasileiro.
O texto em debate, que
substitui a legislação de 1965, delimita as APPs de beira de rios em até 30
metros e inclui essas áreas na conta da Reserva Legal (floresta
"obrigatória" das propriedades rurais).
"Se o que a senadora
estivesse falando aqui fosse verdade seria ótimo. Mas ela não escuta os
cientistas", disse Maria Luiza Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas.
A senadora disse ainda que o
congresso tem "livre arbítrio" para decidir sobre o tamanho da APPs e
que a nova legislação não será "para sempre". "O único texto
eterno e imutável é a Bíblia", disse.
"O Brasil sofreria
embargos econômicos se mostrasse ao mundo que está desmatando e alternando
negativamente a sua legislação florestal", disse Ribeiro. "A senadora
deve estar trabalhando para vender uma imagem positiva no exterior."
A jornalista Sabine Righetti viajou a Marselha
a convite do Fórum Mundial da Água
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