Cientistas
calcularam quanto a humanidade perderá em serviços ambientais oceânicos até o
fim do século devido aos impactos das mudanças climáticas em conjunto com
outras ameaças que impomos ao bioma marinho.
O
costume de não planejar o caminho para se alcançar determinados objetivos não é
exclusividade dos brasileiros, esta cultura do curto prazo é uma característica
generalizada da humanidade e já estamos pagando o preço por décadas de descaso.
Um
novo estudo envolvendo pesquisadores internacionais e coordenado pelo Instituto
Ambiental de Estocolmo (SEI, em inglês) estima que apenas as mudanças do clima
podem reduzir o valor econômico dos recursos marinhos em até US$ 2 trilhões ao
longo deste século.
“Valorando
o Oceano”, que será publicado na forma de um livro revisado por cientistas até
o final do ano, ressalta que precisamos urgentemente de uma abordagem integrada
para proteção das imensidões azuis.
Grande
parte do estudo se dedica à quantificação dos custos da degradação dos oceanos,
geralmente invisível nas análises de custo-benefício incluídas nas políticas
atuais. Os custos são avaliados ao longo dos próximos 50 e 100 anos sob
cenários de altas e baixas emissões e em cinco categorias: pesca, turismo,
aumento do nível do mar, tempestades e estoque de carbono.
“O
montante relacionado à inação aumenta muito com o tempo, um fator que precisa
ser reconhecido integralmente na contabilização das mudanças do clima”, alerta
Frank Ackerman, diretor do Grupo de Economia Climática do SEI-Estados Unidos.
Apesar
de a mudança no clima ser uma ameaça gigantesca, não é a única. Um ponto chave
do relatório é que a convergência de estressores múltiplos – acidificação,
aquecimento, hipoxia, aumento do nível do mar, poluição e sobreuso dos recursos
marinhos – podem levar a danos muito maiores do que individualmente.
O
estudo não coloca um valor monetário sobre os danos totais projetados, muitos
deles sendo perdas incalculáveis como a erradicação de espécies, mas argumenta
que com as informações que já temos, os líderes mundiais deveriam agir com
precaução, rigidez e de forma integrada (considerando todas as nossas ações que
impactam os oceanos).
“O
oceano é um grande contribuinte para a economia dos países, e um ator elementar
na história de mudanças ambientais na Terra, mesmo assim é cronicamente
negligenciado”, lamentou Kevin Noone, coeditor do relatório e membro da
Academia Sueca de Ciências.
“Precisamos
urgentemente designar um sistema de gerenciamento que trabalhe ao longo das
escalas local até global, e que nos permita otimizar o uso dos recursos
marinhos de forma sustentável dadas as ameaças simultâneas e geralmente
sinérgicas”, ponderou a neozelandesa Julie Hall, outra coautora do estudo.
Além
da inclusão da questão em planos econômicos e de desenvolvimento, os autores
pedem medidas locais, como a criação de Áreas Marinhas Protegidas, visando
melhorar a resiliência dos ecossistemas em casos de eventos extremos
(branqueamento de corais, tempestades, etc).
Atlas
do Carbono nos Oceanos
Complementando
o estudo do SEI, a Comissão Intergovernamental Oceanográfica da UNESCO lançou
o Atlas do Carbono na Superfície dos Oceanos, fornecendo registros de 40
anos da acumulação de dióxido de carbono na superfície do oceano.
A
absorção líquida de CO2 pelos oceanos auxilia na redução da concentração de
gases do efeito estufa na atmosfera, porém o aumento na quantidade de carbono
nos mares causa a sua acidificação, ameaçando a vida dos organismos marinhos.
Para
tornar o banco de dados amigável para os usuários, ele foi disponibilizado na
rede através de uma ferramenta sofisticada de visualização e manipulação online
chamada Live Access Server, oferecendo mapas interativos.
Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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