Para
a oceanógrafa Sylvia Earle é preciso pensar no custo real dos vazamentos de
petróleo, como os que ocorreram da bacia de Campos, no litoral fluminense. “Eu
fico alarmada com o que está acontecendo, certamente não era do interesse da
Chevron que ocorresse o vazamento. Mesmo com todas as preocupações, vemos que é
preciso fazer ainda melhor do que isto que está aí”, disse a pesquisadora no
Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus.
A
ex-cientista chefe da Agência Americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na
sigla em inglês) afirmou que mesmo um vazamento pequeno tem impacto para as
espécies marinhas. “Ninguém pode entrevistar as criaturas marinhas para saber o
que realmente acontece. Os peixes não podem falar que não estão de acordo com
aquilo e então isso parece que não importa para as pessoas”, disse.
Outro
problema dos vazamentos é a liberação de gases causadores do efeito estufa.
“Quando o petróleo chega à superfície do mar, o acidente então se transforma em
um vazamento de petróleo pelo céu. Embora ninguém pense nisso quando os
acidentes acontecem, é exatamente isto que ocorre”, disse.
Para
Sylvia, o risco mais claro em explorar o petróleo é o fato continuar o foco dos
investimentos nos combustíveis fósseis mesmo tendo que superar os altos custos
e as dificuldades de operar no pré-sal . “Existe um custo real para a natureza
e para as pessoas que não está incluído nesta conta. Atualmente, estamos num
período de transição e precisamos considerar não lançar no ar mais carbono e
metano”, disse.
A
oceanógrafa de 77 anos, chamada pelo jornal americano de “The deepness”, por
causa do profundo conhecimento adquirido em mais de 60 expedições pelo mundo,
tem o antagonismo de quem faz afirmações duras com a voz doce, conseguindo
assim, inspirar as pessoas. Durante sua palestra em Manaus, ela falou ao
público que viver nestes últimos anos era o que havia de mais fantástico, pois,
“este é o momento para fazer o que achamos que deve ser feito. Temos o
conhecimento. Parece que nunca tivemos antes esta oportunidade de moldar um
futuro melhor”, disse.
Durante
entrevista para jornalistas, ela perguntou se poderia ser um pouco dramática e
disse: “Apenas 1% do oceano tem alguma forma de proteção formal. O que você
pensaria se o mesmo acontecesse com o seu coração azul do planeta? O que você
pensaria se apenas 1% do seu coração fosse protegido. Quanto você acha que
seria necessário proteger do seu coração para poder sobreviver?”. (Fonte:
Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG)
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